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Secretaria Regional da Agricultura e Florestas
Direção Regional dos Recursos Florestais
 



Coelho-bravo
 
A abundância de coelho-bravo é monitorizada periodicamente pelos Serviços Florestais em toda a Região Autónoma dos Açores, através da contagem de coelhos ao longo de percursos pré-estabelecidos. As contagens são realizadas de noite, com recurso a projetores de luz, e o número de coelhos observados é utilizado para estimar um índice de abundância relativa. As variações neste índice traduzem as flutuações no efetivo, e permitem avaliar tendências populacionais e ajustar o esforço de caça de forma a assegurar a sustentabilidade deste recurso, bem como o seu equilíbrio com as atividades agrícolas e florestais. Este método é o mesmo utilizado na monitorização da abundância de outras populações de coelho-bravo em Portugal Continental, Espanha ou Austrália, sendo considerado um método de referência.

Nos Açores, a monitorização é efetuada em São Miguel e nas Flores, desde 2005 e 2006, respetivamente, tendo sido alargada às restantes ilhas em 2011. A rede de 61 percursos estabelecidos a nível regional estende-se por 254 km.

 
 
 

Em cada ilha, nos primeiros anos, estes percursos foram efetuados todos os meses, para perceber as variações sazonais da abundância. Posteriormente foram definidos dois períodos de contagens que permitem avaliar a abundância antes e após o período reprodutivo, em janeiro-fevereiro e agosto-setembro, respetivamente.

 

(Clique em cada ilha para mais informação)

 

Após os surtos de doença hemorrágica viral, no final de 2014 e início de 2015, que provocaram grandes mortalidades no coelho-bravo em todas as ilhas, foi retomada a periodicidade mensal, de forma a manter estas populações sob maior vigilância.  A análise molecular de material biológico recolhido de coelhos mortos durante estes surtos, permitiu demonstrar que o agente causador foi o vírus da nova variante da doença hemorrágica viral (RHDV2), e não o que até então circulava nas populações açorianas de coelho-bravo, tendo sido possível determinar uma provável região de origem no continente, bem como traçar a sua dispersão pelo arquipélago.


Em 2018, quatro anos após estes surtos, na maioria das ilhas a tendência das populações é ainda decrescente.  As situações mais preocupantes são a da ilha das Flores, onde a abundância tem permanecido baixa e sem sinais claros de recuperação, e a da ilha de Santa Maria, onde uma expressiva recuperação observada ao longo de três anos foi anulada por um surto no início de 2018, que reduziu a abundância de coelho-bravo aos níveis mais baixos dos registados nesta ilha.  É importante lembrar que a população de coelho-bravo da ilha das Flores era a única que até ao surto de 2014/2015 nunca havia tido contacto com o vírus da doença hemorrágica nos Açores. À data destes surtos, a população de coelho-bravo da ilha de Santa Maria estava ainda a recuperar de um importante surto de doença hemorrágica viral que ocorrera no final de 2011.


Desde a entrada da RHDV2 nos Açores, têm-se verificado novos surtos em várias ilhas, cujo impacto se reflete nos resultados das contagens, como por exemplo em São Miguel em 2017, contudo em Santa Maria o efeito parece ter sido mais dramático.


Desde 2005 foram percorridos mais de 35000 km exclusivamente dedicados à contagem de coelho-bravo.  Este esforço, que cada vez mais se aproxima de uma volta ao mundo, tem permitido sentir o pulso das populações desta espécie ao longo dos anos em todo o arquipélago, e adequar a sua exploração às realidades observadas em cada ilha.

 

Última atualização: 29 de outubro de 2018 

 
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